IDOLOS
Os tive, no decorrer da vida, acho que aos milhões.
Ainda os tenho, mais modesta e sinceramente, aos milhares.
Talvez até, em algumas humildes centenas.
Pensando melhor, seriam na casa das dezenas?
O que teria acontecido? Mudei eu, ou mudaram os ídolos?
Certo, alguns, não poucos, realmente eram de barro. Por efêmeros, não resistiram ao tempo. Muitos, aos quais, preventiva e virtualmente peço desculpas, perdi-os, nos labirintos da minha reconhecidamente fraca memória.
Dizem que, com o passar dos anos ficamos mais intransigentes, exigentes e insurgentes. Eu não sou assim. Eu estou assim.
É, os anos passaram. Reconheço que também mudei.
Ontem, onde eu exigia ousadia, coragem e determinação,
Hoje, espero um pouco de bom senso.
Ontem, para ser meu ídolo, tinha que ser o mais rápido, o mais forte, ou o que pulasse mais longe.
Hoje, que seja sábio.
Ontem, que falasse mais alto, agitasse mais, sobressaindo-se dos demais.
Hoje, que quase não fale, quase não apareça, mas que, com seus atos, por pequenos que sejam, e com suas palavras, mesmo parcimoniosas, acrescente alguma coisa importante a todos que o cercam.
Humildade, carinho, amor.
Respeito, dignidade, caráter.
Conhecimento, sensibilidade, afeto.
Todos nós, sempre tentamos ser um ídolo para alguém. Principalmente para nossos filhos. Quase nunca conseguimos. Em algum momento, sempre falhamos.
Apesar disso, eu posso dizer que sou e estou feliz.
Meus filhos são os meus ídolos. O que mais posso querer?
São Roque, 03/03/09
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