terça-feira, 3 de março de 2009

IDOLOS

Os tive, no decorrer da vida, acho que aos milhões.

Ainda os tenho, mais modesta e sinceramente, aos milhares.

Talvez até, em algumas humildes centenas.

Pensando melhor, seriam na casa das dezenas?

O que teria acontecido? Mudei eu, ou mudaram os ídolos?

Certo, alguns, não poucos, realmente eram de barro. Por efêmeros, não resistiram ao tempo. Muitos, aos quais, preventiva e virtualmente peço desculpas, perdi-os, nos labirintos da minha reconhecidamente fraca memória.

Dizem que, com o passar dos anos ficamos mais intransigentes, exigentes e insurgentes. Eu não sou assim. Eu estou assim.

É, os anos passaram. Reconheço que também mudei.

Ontem, onde eu exigia ousadia, coragem e determinação,

Hoje, espero um pouco de bom senso.

Ontem, para ser meu ídolo, tinha que ser o mais rápido, o mais forte, ou o que pulasse mais longe.

Hoje, que seja sábio.

Ontem, que falasse mais alto, agitasse mais, sobressaindo-se dos demais.

Hoje, que quase não fale, quase não apareça, mas que, com seus atos, por pequenos que sejam, e com suas palavras, mesmo parcimoniosas, acrescente alguma coisa importante a todos que o cercam.

Humildade, carinho, amor.

Respeito, dignidade, caráter.

Conhecimento, sensibilidade, afeto.

Todos nós, sempre tentamos ser um ídolo para alguém. Principalmente para nossos filhos. Quase nunca conseguimos. Em algum momento, sempre falhamos.

Apesar disso, eu posso dizer que sou e estou feliz.

Meus filhos são os meus ídolos. O que mais posso querer?

São Roque, 03/03/09

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