terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

QUESTÃO DE ESTILO

Contexto, anos 70

“Presidente”:General Emilio Garrastazu Médici ( 1969 – 1974)

De tão violento, esses anos, em contraposição aos“Anos Dourados” foram considerados os “ Anos de Chumbo”. Censura geral em jornais, revistas, músicas, teatro, etc. Guerrilha no Araguaia. Época do DOI- Codi ( Destacamento de Operações e Informações ao Centro de Informações de Defesa Interna) Veja que singelo.. O Codi, já não era flor que se cheirasse. Imagine o que o DOI informava ao Codi, e pior, como o tal de DOI operava!!!!!.Infelizmente, acreditem, foi muito DOIdo para muita gente boa.

Recomendação: entre no You Tube e procure Phono 73 , um festival de MPB que aconteceu no Anhembi- SP em maio de 1973, num palco mais ou menos improvisado e com a platéia toda de pé ( Eu, Lena e mais um monte de Shoolacks ( qualquer dia eu explico quem éramos nós , os shoolacks) assistimos além de Chico Buarque e Gil censurados ( Cálice), Elis, a Regina, Vinicius, o poeta maior da nossa música, Toquinho, parceiro novo, Gal,legal, Bethânia, com sua interpretação inigualável, Nara Leão,musa até hoje dos apreciadores da Bossa Nova, Raul Seixas, maluquissimo e belezissimo como sempre , Jorge Ben, ainda não Benjor, mas com seu balanço inconfundível e inimitável, Caetano, extrapolando musica por todos os seus poros, e outros não menos importantes, mas que meus neurônios ( o Tico e o Teco) se recusam a lembrar.

Nem tudo é beleza.Nem tudo é tristeza.

Brasil : Tri campeão do mundo, com Pelé, Gerson, Rivelino, Jairzinho ..... e, claro, Dada Maravilha, selecionado por imposição do Generalíssimo Presidente. Ou Presidentíssimo General. Ou, pra não ter erro, Presidentíssimo Generalíssimo.

Enquanto isso, aqui na nossa terrinha, um grupo de jovens(Creiam. Nós também já o fomos) resolveu agitar a cultura. Resolvemos criar um jornal. E Gremistas que éramos e somos, levamos a proposta à diretoria do GUS, que topou a parada , com 3 ressalvas :

1: “Que o jornal fosse focado para o esporte e cultura. Esse é o objetivo do GUS”. Isso é fácil, dissemos.

2: “Que o jornal se sustentasse sozinho”. Ou seja : Neca de grana. Opa! Complicou um pouco, mas vamos pra luta.

3: “Política, nem pensar”. Aí complicou de vez. Mas, vamos em frente. Podemos “pegar leve”.

“E em quarto lugar” ... Epa, não eram três ressalvas??? Eram.

Mas o quarto lugar não era uma ressalva. Era um desafio. O GUS já havia editado um jornal que se chamava “O GALO” (símbolo do GUS), que teve uma vida efêmera. O desafio era fazer um jornal com mais edições do que aquelas que eles tinham conseguido.

Hoje, o Tico e o Teco ( meus), já entrados nos anos, falham e eu não consigo lembrar exatamente os números, mas eu sei que topamos e, com o mesmo nome( O GALO) conseguimos vencer o desafio, editando e entregando os doze exemplares para os crédulos(coitados!) a quem conseguimos vender a publicidade e a assinatura anual (embora tenha demorado quase dois anos).

Todas as edições eram focadas no esporte e na cultura. Política? Bem, tinha uma pimentinha aqui, outra ali, mas, felizmente passaram despercebidas dos dobermans do DOI- Codi. Só levamos algumas broncas da Diretoria do GUS.

Sei que esse jornal, por mais modesto que tenha sido, foi importante para muita gente e muita mais gente ainda foi imprescindível para que ele tenha tido uma existência. Não vou citar todos os envolvidos na feitura desse jornal, primeiro porque o Tico e o Teco( de novo) estão de férias e em segundo lugar por causa do espaço.

Mas peço licença para citar um só, e tenho certeza que todos os demais irão entender.

Zé Roque. Num domingo, contrariando todos os seus procedimentos normais, as 10 horas da madrugada, me acordou no Ritz ( mais um “qualquer dia explico” : O que era o Ritz?).

Faltava o editorial para completar a próxima edição do GALO ( Julho de 1971) e ele queria que eu, que já tinha dado minha contribuição, escrevesse o tal do editorial, porque Chico Paco( acabei citando mais um, que também foi imprescindível) tinha que terminar a diagramação naquele dia.

Lógico, chiei, xinguei, mas não tinha jeito. O cara era teimoso e insistente.

Meio dormindo, como ultimo argumento, eu disse que ainda estava procurando o meu estilo para escrever. Que eu precisava de um tempo para me decidir ( na realidade eu queria dormir mais um pouco) .

Ele, bravo como sempre, arrancou minha coberta dizendo que eu deveria escrever o artigo no estilo “Niney” de escrever e ponto final. Pronto. Lá fui eu para a máquina de datilografia( mais um “qualquer dia eu explico” agora para os bem mais jovens : o que é uma máquina de datilografia?)

Bem, o editorial acabou saindo naquele mesmo domingo com o título “ Turismo- Realidade ou Sonho?” .

Quase 38 anos se passaram e até hoje não encontrei meu estilo. Mas, graças ao Tico e ao Teco jamais vou me esquecer do Zé Roque.

Niney

Nenhum comentário:

Postar um comentário