quarta-feira, 1 de abril de 2009

NOMES

Confesso, não gosto do meu nome. Nunca gostei. Apesar de saber que, não fosse a compulsão da minha mãe em ter um filho com os nomes dos dois avos paternos, (José, o Português e Manoel, o Brasileiro) eu nem existiria. Gozada essa sensação, nunca ter existido! Quanta coisa seria diferente! Eu não teria dado os desgostos que sem duvida dei aos amigos e parentes, mas por outro lado não teria dado as alegrias, por poucas que tenham sido, aos mesmos amigos e parentes.

E Lena? O que seria dela sem os nossos filhos, a quem amamos tanto? Quem estaria afagando e mimando o Boni, nosso companheirão de quatro patas?

Deixa pra lá. Eu nasci e existo, logo, acho que às vezes até penso!!!

Mas vamos ao assunto : Conforme falei acima, conta a lenda, que minha mãe queria por que queria ter um filho chamado José Manoel, pelos motivos também expostos acima. Fora a Fabíola, irmã que infelizmente não conheci, pois foi embora ainda criança, ainda nasceram duas robustas, fofas e simpáticas meninas, que por motivos óbvios não poderiam se chamar José, nem Manoel e muito menos José Manoel. Foram devidamente batizadas de Maria Aparecida e Maria Célia. Por obra do destino, uma virou Maricy, a outra Maracelha. Aí, veio o primeiro rebento. Meu pai foi ao cartório e apesar das súplicas de minha mãe, sei lá porque, cravou “Roberto”. Acho que naquela época, o homem da casa ainda mandava um pouco e ele não gostava do famoso “José Manoel”. E Roberto ficou.

Resultado: surge mais um varão. Mais súplicas da minha mãe. Como meu pai não mandava tanto assim, e tirando a dúvida sobre ele gostar ou não do nome sugerido, ele usou a criatividade, aliás no que ele era pródigo, e registrou Ruy JOSMAN!!! JOS de José e MAN de Manoel, com direito a “ene” e tudo. Eureka! Problema resolvido! Resolvido? Que nada!. Com sua perseverança, Dona Célia não aceitou a solução. E eu acabei sendo elaborado e vim à luz.”Seu” Ruybarbosa, dando provas de sua reconhecida inteligência, deve ter ponderado sobre as conseqüências de me registrar com um nome diferente, o que poderia contribuir para o aumento da população mundial, prudente e resignadamente, para não ter erro, soletrou, professoral como sempre, para o cartorário :travessão, parágrafo : JÓTA Ô ÉSSE É “espaço” EME A ENE Ô ELE. E José Manoel fiquei. E José Manoel sou. E José Manoel ficarei.

Gozado o conceito de “não-existência”. Quer dizer que se eu me chamasse, por exemplo, “João”, poderia haver um outro “José Manoel”. Segundo a lenda, é provável. Dona Célia não iria arrefecer!

Tenho certeza que, mesmo não gostando do nome dele, o amaria, assim como amo a Fabíola, a quem também não conheci, assim como amo a todos os personagens que mencionei, e sem os quais, sinceramente, não seria ninguém. Nem mesmo um ZÉ MANÉ.

Um comentário:

  1. Como sempre, adorei seu texto. As lágrimas teimaram em descer tanta a saudade que senti do nosso pai! Ainda bem que vc nasceu, a gente te adorava e a competição era grande para te carregar. A Maricy e eu até deixamos vc cair no chão tanta era a disputa.Ainda bem que nada aconteceu, senão vc não estaria escrevendo esses textos tão lindos.Que susto e que bronca levamos.Beijos tb te amo muito.

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