terça-feira, 12 de maio de 2009

RUA PROFESSOR JOAQUIM DE OLIVEIRA,54 – PARTE I Você conhece. Não? Deveria ter conhecido. Foi onde morei, e curti meus anos mágicos, aqueles, dos 8 aos 16. Faz muito tempo?Faz. Era bom? Sem duvida, era. Para se ter uma idéia, nós tínhamos, eu e meus irmãos, uma pista de patinação nas modalidades “meias” e “joelhos” dentro de casa!Era só esperar as irmãs encerarem a casa(Parquetina, manja?) e espalharem um monte de jornais para começar o esporte. Que se tornava mais radical ainda, quando as citadas irmãs corriam atrás de nós com a cinta. Isso sem falar no “Pacaembu”, a mesa de fórmica da cozinha, que entre uma refeição e outra, servia de palco para memoráveis partidas de futebol de botão, onde duelavam, entre outros, Poy, Del Vecchio, Pelé, Coutinho, Ademir da Guia, Benê, Gilmar, Laércio. Às vezes quebrava aquela hastezinha de metal dos goleiros, que imediatamente eram substituídos por estáticas, porém não menos nobres, caixinhas de fósforos, que até realizavam excelentes defesas. No nosso quintal, imagine, tínhamos um zoológico particular! Além de, claro, um cachorro de plantão. Diana, uma cadela que para nós era mais bonita que a Lassie, apesar de dividir nosso carinho e afeto com outra família(passava uma semana na nossa casa, outra na Rua Rosina de Oliveira). Acho que confundia os sobrenomes das ruas. Por falar em sobrenomes, outro peludo de 4 patas que nos marcou muito foi o Tisiu. Foi preso! Meliante! Desocupado! Um autêntico sem-coleira! Quede o PT? Ah, ainda não existia. Levado pela carrocinha! No nosso imaginário (ou na realidade,não sei) iria se transformar em sabão! Para nós, nessa época, o laçador da carrocinha era o pior malfeitor que existia. Pior que o Meneghetti, o Bandido da Luz Vermelha,o Lobo Mau,os irmãos Metralhas, o Chico Picadinho, Caryl Chessmann. Não existia coisa mais maléfica do que tirar um cachorrinho do convívio familiar e transforma-lo numa barra de sabão! Acho que ainda não existe. E lá se foi a comitiva, chorar na frente da Prefeitura ( que era ali na Praça da Matriz). Amigos,parentes,vizinhos, o time inteiro do Carambeí e demais curiosos. Roberto, meu irmão que além de mais velho, era mais chorão, assume a negociação: O fornecedor de matéria prima para sabão pergunta: “Qual o nome do seu cachorro?” Roberto , entre soluços ( cun cun cun cun) responde: “Tisiu Ribeiro Lopes” Não deu outra.O “cowboy” canino, chorando de rir, deu o “hábeas corpus” pro Tisiu sem cobrar a taxa. A Justiça é cega, mas às vezes, tem senso de humor. Essa estória não vai parar por aqui. “Prof. Joaquim de Oliveira,54- Parte II – O Autódromo” vem por aí.

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