domingo, 24 de outubro de 2010
HIGH TECH
A tecnologia sempre me encantou. Adorava Julio Verne, que em seus livros apresentava coisas tão fantásticas e inverossímeis, como o telefone sem fio, televisão, submarinos nucleares( imagine só, na idéia dele, seriam movidos com átomos. Átomos, aquele negocinho pequeninho vai mover um submarino!!!), viagens à Lua, ao Centro da Terra, volta ao mundo em 80 dias, etc.. Isso sem falar no "Flash Gordon" e suas naves espaciais, armas devastadoras,capazes de destruir a Terra ,luzes tão concentradas que podiam tanto cortar o aço, como auxiliar em delicadas cirurgias.Acho que eles até imaginavam que essa luzinha um dia pudesse vir a substituir as agulhas de diamante para reproduzir sons nas velhas e boas eletrolas. Seria legal. Até sugiro um nome para a tal luzinha: ALER, sigla para Amplificação da Luz por Emissão estimulada de Radiação. O problema é que em inglês a sigla ficaria feia "LASER"
Eu curtia até o cinto de utilidades do Batman, que acabava safando nosso herói de enrascadas, utilizando a tecnologia na luta contra o crime.
Hoje a tecnologia não me surpreende mais. Encaro numa boa os caixas eletrônicos, mesmo aqueles que você coloca a mão para a biometria, o que dificulta bastante a vida do ladrão. Hoje, além do cartão e a senha, ele vai ter que levar sua mão também p/ fazer um saque.Epa! será que os bancos pensaram nisso quando criaram essa máquina? Ele pode não te levar, mas sua mão, vai com anéis e tudo.....
Mesmo sem entender a lógica do negócio, aceito que o microondas faça vibrar as células do alimento aquecendo o rango pelo atrito e utilizo-o para fazer minhas pipocas, aquecer um café ou um leitinho.
Confesso que ainda apanho no DVD player( o video cassete era bem mais simples, apesar do "por favor rebobine a fita ao final" senão tinha multa ao devolver à locadora.
Celular, tenho basicamente para falar. Não sou muito chegado a SMSs, torpedos, videos, fotos, GPSs, jogos e mais mil e uma utilidades que sei que ele tem e as operadoras vivem tentando enfiar no seu plano a módicos poucos réis.
Eu disse acima que a tecnologia não me surpreende mais. Mentira. Esta semana, tive uma prova que ela é inexorável. Implacável. Inusitada. Inesperável.E mais um monte de "i". Só não é "imexível", "imota", "inerte".
O fato:
Eu, internauta mediano, me viro até que bem com os "downlouds, layouts, googles, you tubes e outloocks da vida, mas numa bela manhã, o "speedy" meu de cada dia estava com preguiça. Não entrava nem a página inicial, apesar de estar tudo devidamente conectado.Desliga daqui, liga ali, espera 5 minutos, liga de novo e aquela bolinha ficava girando e continuava nada.
Liga p/ a Telefônica. 103 15. Após digitar milhares de informações e conversar com uma robôta(ou é robôa?) muito simpática e educada, consegui falar com uma ser humana, tão educada, mas não tão simpática como a robôa(ou será robota?), que me solicitou todas as informações que eu já tinha digitado para a robótica(nem robôa, nem robota) acima citada. Expliquei meu problema, e vários minutos após, seguindo suas instruções, desliguei o modem, informei quais lampadinhas estavam acesas, quais estavam piscando, se rápido ou devagar e vários aguarde mais um momento,que eu estou fazendo um teste e um procedimento, etc etc etc...a linha caiu.
Agora eu poderia usar o "copiar e colar" 3 vezes para o parágrafo acima, mas para poupar os olhos cansados dos parcos e desavisados que me acompanham, vou para o final da 5a.ligação, quando já estava a fim de, a exemplo do Ruy que tentou sem sucesso, pedir para falar com o Don Juan Carlos, Rei da Espanha.
A moçoila que me atendeu, depois de todos os procedimentos infrutíferos exaustivamente tentados, me pediu para pegar um palito de dentes.Instintivamente, procurei um virtual pedaço de alface, ou sei lá o que pudesse estar entranhado entre meus dentes.Peraí! Meu computador não tem câmera.Ela não está me vendo! Bom, pensei, lá vem gozação. Talvez a expressão "palito de dente" seja algum periférico, como o mouse, pen drive, sei lá, na linguagem cibernética.Se ela tivesse pedido um fio dental, uma escova com cerdas altamente desenvolvidas para combater os germes, ainda vá lá! Mas um palito de dentes!!!! Não, não tenho. O que eu tinha à mão, eram lápis, borracha, grampeador e outros objetos mais afeitos a um humilde escritório, além de um saquinho de Fandangos pela metade e já moles, e o mais parecido com o inusitado instrumento de higiene era um clip. Serve? A resposta foi categórica:
"Senhor José ( meu nome de guerra) para o procedimento a seguir é indispensável um palito de dentes pontiagudo, de madeira" .Putz. Nada de Leds, wireless, laser, titânio, aluminio. Ponto para a moçoila. Mesmo correndo o risco de parar nas "pegadinhas do Faustão", pedi um minuto, corri para a cozinha, voltei com uma caixa de "Gina"(hoje essa Gina deve estar com uns 130 anos, né?Eu lembro que era molequinho e ela já estava sorrindo nas caixinhas), roliços e pontiagudos, de madeira, atendendo todos os requisitos solicitados.
Novas instruções da súdita do Juanito :
"Atrás do seu modem, ao lado do botão on/off, existe um orifício(êpa) pequeno. Introduza(êpa) o palito nesse orifício e conte até dez, bem devagar(êpa)" . Já entendi. Quando chegar a dez, vai aparecer o cameramen, mais um monte de gente gritando " PEGADINHA" .
Mas como não vi aqui no meu "bunker", nenhuma possibilidade de haver uma multidão escondida, resolvi correr o risco. 1,2,3,4,5,6,7,8,9 e ....10!!!!!!!!!! Não apareceu nenhum gozador. Ufa!!Mas também nada aconteceu. Depois de falar o tradicional Pronto! , a Rainha Sofia, esposa do Joãozinho(é, fiquei íntimo da família Real, e daí?) que me atendia, me orientou a tentar novamente a famigerada conexão e que navegasse tranquilamente, pelos mares que dantes costumava navegar.E que desde então e pelo menos até agora,continuo a navegar, graças a um prosaico, fora de moda( alguns dizem até que é falta de educação utilizá-los à mesa) palito de dentes.
CULTURA INUTIL:
Na décadas de 1840 e 1850, o norte americano Charles Forster esteve no Brasil, para ajudar nos negócios de um tio que vendia móveis.
Forster, em Pernambuco, encantou-se com a beleza dos dentes das mulheres brasileiras que usavam palitos de salgueiro. De volta aos EUA, contratou um inventor de máquinas que possibilitasse a criação de um equipamento de produção de lascas de madeiras.
Em 1870, já produzia mais de 1 milhão de palitos de dentes por dia com qualidade e ótimos custos.
"O BRASILEIRO É TÃO BONZINHO, NÉ?!!!"
"O NORTE-AMERICANO É TÃO ESPERTINHO, NÈ?!!!"
Já ouvi essa história antes, não sei onde.
Mas se o tal de Forsters, que morreu milionário em 1901, fosse um Julio Verne, teria registrado o "seu" invento como uma "Ferramenta Auxiliar na Restauração e Reparação de Falhas na Conexão de Periféricos Intermediários Entre um Equipamento Eletronico à Uma Futura Rede Mundial de Informações". FARRFCPIEEEUFRMI.
Essa sigla em inglês deve ficar pior ainda. E o tal de Forster talvez tivesse morrido pobre.
Em todo caso, hoje na minha caixinha de clips, tem sempre um palito de dentes. Se a conexão do speedy não cair, existe sempre a possibilidade de um resíduo de fandango estar incomodando.
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