sábado, 16 de outubro de 2010
O "causo" abaixo, foi escrito pelo meu irmão Ruy, e publicada na Revista Pesca e Companhia, que é considerada a "Bíblia" dos pescadores. Essa pescaria aconteceu em 1.984 e os personagens foram, além do Ruy(Olhocompano) o Vinicio(Chumbate), nosso saudosíssimo Spencer(Mestre), cujos "zóios" realmente serviam de referência aos jacarés e eu(Arnica), prá completar o time. Nossos piloteiros eram o Biguá( barco do Ruy e do Vinicio) e o Batata(meu barco com o Spencer).Mas essa noite não acabaou tão tranquila assim não.Houve um pequeno contratempo( um dos barcos ficou à deriva) que eu contarei num próximo post.
Fiz a transcrição diretamente do original do Ruy, pois a Revista fez algumas adaptações,talvez por problemas editoriais.Mas vamos ao "causo":
UMA PESCARIA NO PARAÍSO DOS DOURADOS!
Lembro-me que há muitos anos atrás na segunda pescaria que fazia no Pantanal, após uma primeira aventura decepcionante, quando despreparados e inexperientes sofremos imensamente com o frio do Pantanal. Muita chuva, frio e o objetivo principal, é claro, o peixe, completamente escondido. Isso depois de uma viagem de trem, que partia de Bauru, o famoso Trem da Morte, cujo destino final era Santa Cruz de La Sierra na Bolívia. O trem da morte partia de Bauru e depois de mais de 32 horas e mais de cem estações chegávamos a Corumbá, mais precisamente na Vila Albuquerque, distante 70 quilômetros da cidade.
Hospedagem no pesqueiro em uma “palafita” que chamávamos de Biguazeiro.
Nesta segunda aventura(progresso : fomos e voltamos de avião) éramos 4 amigos ansiosos, ainda com as lembranças da pescaria do ano anterior.
Depois de dois dias de frustação, observamos um grupo de pescadores que chamávamos de os “Bota Branca”, pois todos usavam uma bota branca de borracha e equipamentos de primeira qualidade. Toda manhã eles chegavam carregados de peixe e nosso grupo inteiramente “sapateiro”. Obviamente sofríamos gozações de todos os tipos. “Mordidos” e principalmente querendo tirar a “barriga da miséria” passamos a estudar seus movimentos e observamos que eles saiam mansamente durante a noite e voltavam de manhã. Um dos nossos piloteiros logo gritou...Barranco Limpo! É lá que eles estão pegando, mas, desanimado, acrescentou...”não dá, pois ali apenas um bote pode apoitar”. Foi ai que decidimos “dar o chapéu” nos Bota Branca. Fomos para o jantar, bebemos e comemos tranqüilamente e disfarçadamente demos boa noite a todos como se fossemos para a cama.
Em 3 minutos estávamos prontos e partimos com dois botes para o “matadouro”.
Realmente apenas um barco conseguia encostar na margem no ponto certo de arremesso. A isca caia exatamente em uma grande corredeira. È claro que os lançamentos eram feitos no escuro total, iluminado apenas pelos dois olhos vermelhos de um grande jacaré que decidiu se enroscar do nosso lado. Acho que foi atraído pelos “pequenos zoios” de um dos companheiros. Passamos a revezar o ponto único e a pescaria foi maravilhosa. Pegamos 15 dourados em menos de duas horas. Justamente dourado, um dos mais cobiçados peixes de água doce, chamado de “rei do rio”. A captura do dourado é emocionante pois trata-se de um peixe voraz e “brigador” quando é ferrado. O mais interessante é que o dourado somente era ferrado se o anzol caísse em um ponto exato a cerca de 15 metros do barco. Sentíamos o bater da isca e da chumbada nas pedras da corredeira e era só se preparar para ferrar.
Ficamos satisfeitíssimos quando os “Bota Branca” chegaram e nos encontraram no local. Demos o troco nas “gozações” com muito prazer.
Lembro-me ainda que no dia seguinte, último dia de pescaria, decidimos pescar em frente ao hotel, ao invés de rodar uma ou duas horas de barco atrás do peixe.
Ainda não havíamos conseguido pegar nenhum pintado, mas já estávamos conformados e satisfeitos com a produção de dourados. Ali em frente, local chamado de “pronto socorro” somente barbados mordiam a isca.
Surpreendemente, logo na primeira rodada, cada um “puxou” um pintado “de medida”. Entre alguns “barbados e palmitos” , em pouco mais de uma hora fisgamos 18 pintados.
Obviamente, aguardamos ansiosos a chegada dos “Bota Branca” para mostrar a produção do dia, com cerca de 30 peixes, enfileirados no “varal”. As fotos estão ai para provar. È só pedir!!!
Foi uma pescaria inesquecível, como muitas outras que realizamos, porém essa teve um gosto especial, pela rivalidade com os “Bota Branca” e pelo prazer da primeira real pescaria.
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