sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

CRENÇA - 06/02/2009 Como todo mortal que tem um endereço eletrônico, recebo diariamente vários e-mails com orações, motivações, estórias de guerra ou violência nas quais os personagens são crianças ou idosos, correntes para serem repassadas sob o risco de alguma desgraça pairando sobre minha cabeça, todas com lindas palavras e imagens mais bonitas ainda, de lugares onde nunca estive e nem tenho mais esperança de um dia estar. Após ler essas mensagens, normalmente me ocorre um pensamento: O que fazem as pessoas que crêem, após sair do culto, missa, sessão, ou qualquer outra denominação?Ao sair do centro, capela, mesquita ou catedral, após receber o passe, a hóstia, confessar, ou deixar o dízimo, essas pessoas se sentem com o dever cumprido? Se sentem quites com o Criador? Acham que pregar a palavra de Deus, Jeová, Buda ou Alá é suficiente? O que essas pessoas fazem nos intervalos? Cuidam dos enfermos, das crianças, dos idosos? Provêem seus funcionários de no mínimo, condições dignas de vida? Ajudam um vizinho que está desempregado? Como na política, na religião também não existe almoço grátis. Ou você acredita que, se eu entrar para a igreja da bispa Sônia (aquela mesma, que está em prisão domiciliar nos EUA e com ordem de prisão no Brasil, junto com seu marido, também autoproclamado Bispo e por coincidência dono dessa igreja), mesmo entregando 10% da minha mísera aposentadoria terei a mesma atenção do que, por exemplo, o Kaká, cujo dízimo mensal é muito mais que anos de minha aposentadoria integral? Se eu tivesse ido todos os dias da minha vida à igreja, o Papa me receberia em audiência no Vaticano? Se eu, dentro de minhas posses, ofertasse um tablete de caldo de galinha na encruzilhada, receberia a mesma atenção que os orixás dedicariam a um fazendeiro, que entregou várias cabeças de gado ao pai de santo? Não, eu não posso acreditar que as minhas posses materiais influirão proporcionalmente numa eventual recompensa futura. Menos ainda, posso concordar com o comportamento daqueles que se dizem representantes de um Ser Superior, mas agem de maneira tão inferior, tão mesquinha, completamente o oposto do que pregam, com pastores gananciosos, charlatães fazendo trabalhos, desde que bem remunerados, enganando, principalmente os mais desvalidos, os mais humildes, justamente os mais precisados, sugando-os, extraindo o máximo possível de uma vida, a maioria das vezes já miserável e sacrificada. Nos anos 50/60, era comum a “venda” por estelionatários, do Bondinho do Pão de Açúcar, do Viaduto do Chá ou mesmo, de bondes aos crédulos. Eles tinham belas palavras e, principalmente, como se dizia na época, “lábia” para ludibriar, extorquir, enganar os pobres “caipirasrecém chegados à cidade grande. Imagine os argumentos de um padre pedófilo, com a bagagem cultural e intelectual que recebeu durante anos de estudo, a um seminarista adolescente. Sinceramente, me revolto. É covardia. É indigno. Depois, como se nada tivesse acontecido, reza uma missa, oferta a hóstia, ouve uma confissão e arbitra um castigo para o pecador! Com que moral??? E a Santa Sé ainda o protege, fazendo um acordo de BILHÕES DE DOLARES com a justiça, para que tudo continue como está. De onde vieram esses Bilhões ? Eu sei. Você também sabe. Por paradoxal que possa parecer, eu não oro, mas creio. Creio que este é o único mundo que nós temos e para que ele seja melhor para todos os seus atuais e eventuais habitantes, racionais ou irracionais, precisamos todos nós, de menos oração e mais ação. Menos seminários e ostentação e mais orientação. Menos templos e mesquitas, verdadeiros palácios, tão suntuosos quanto inúteis e mais moradias. Menos romarias e retiros espirituais e mais dedicação aos desfavorecidos. Mais comida. Mais água. E mais dignidade. As mensagens eletrônicas, pregações, cultos, missas, sessões, sempre tem como objetivo a lembrança de um Ser Superior a quem temos que louvar, para termos uma vida num plano superior após nossa morte, seja o céu para os cristãos, ou as mil virgens para os mulçumanos. Então, que seja louvado. Que venha o céu! Que venham as mil virgens! Mas, o que eu gostaria mesmo é que Ele escolhesse melhor seus representantes aqui no nosso efêmero, desgastado e aviltado mundinho. Daí, talvez um dia, eu até orasse. Niney

Um comentário:

  1. Niney,conhecendo voce como eu conheço não me surpreendi com seu blog pois sei que mesmo não acreditando em "nada" voce sempre sera essa pessoa maravilhosa fazendo o bem sem olhar a quem.Voce esta certissimo,de que adianta ficar mandando e-mails Maravilhosos se, na realidade não fazem nada daquilo que mandam,que pregam,que oram etc...etc...etc... TÔ COM VOCÊ E NAO ABRO falou?
    lena

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